Agradecimento especial: Agradecemos à Bethesda pelo envio da key de PS5 de Starfield, que tornou esta review possível. Todo o conteúdo abaixo reflete exclusivamente a experiência da redação, de forma independente e sem interferência do estúdio.
| Plataforma: PlayStation 5
| Gênero: RPG / Ficção Científica
| Desenvolvedor: Bethesda Game Studios
| Data de lançamento no PS5: 7 de abril de 2025
Starfield finalmente chegou ao PS5 em 7 de abril de 2025, e a pergunta que todo jogador faz é direta: depois de quase três anos de updates, expansões e ajustes, o RPG espacial da Bethesda vale a pena nessa versão? Testamos Starfield no PS5 de ponta a ponta para responder. A edição chega com o jogo base completo, as expansões, todos os patches importantes, a nova atualização Freelance, a DLC Terran Armada e suporte total ao DualSense. É, sem dúvida, a versão mais completa e robusta já lançada para consoles.
O problema é que, mesmo nesse estado mais refinado, Starfield ainda carrega as mesmas limitações centrais de design que marcaram o lançamento original. Há um bom RPG aqui — às vezes até um ótimo RPG. Mas também existe uma sensação persistente de que faltou aquilo que sempre definiu os melhores jogos da Bethesda: o prazer genuíno da exploração.
O que vem na versão PS5 de Starfield?
A versão para PlayStation 5 chega completa e recheada de conteúdo acumulado desde a estreia no Xbox Series X|S e no PC. No pacote estão incluídos:
- Jogo base completo
- DLC Shattered Space (lançada em setembro de 2024)
- DLC Terran Armada (nova)
- Atualização Free lanes com o modo Free Cruise e novos conteúdos
- Todos os patches e melhorias de qualidade de vida desde 2023
- Suporte total ao DualSense
- Tempos de carregamento rápidos
- Modos gráficos otimizados para PS5 e PS5 Pro
A edição premium já inclui as DLCs e bônus de jogo. Para quem esperou esse momento, é exatamente o tipo de edição definitiva que fazia sentido aguardar.
Universo, facções e campanha principal

Starfield é uma proposta diferente dos outros RPGs da Bethesda. Em vez de um grande mundo aberto coeso, o jogo apresenta centenas de planetas espalhados pela galáxia, dominados por facções que dão forma à política, à cultura e aos conflitos desse universo. Nosso protagonista faz parte da Constelação, um grupo de exploradores que busca desvendar os segredos de artefatos misteriosos — uma premissa que levanta reflexões sobre existência e o lugar do ser humano no cosmos.
O cenário é disputado por grupos bem construídos, cada um com personalidade e quests próprias:
- Colônias Unidas — a maior potência militar e política dos sistemas colonizados; sua linha de missões envolve ameaças alienígenas e dilemas morais pesados
- Coletivo Freestar — cowboys do espaço que defendem a liberdade individual, com conflitos que revelam o custo real dessa filosofia
- Frota Escarlate — aliança de piratas fora da lei; uma das linhas de missão mais moralmente ambíguas do jogo
- Ryujin Industries — facção corporativa focada em espionagem e sabotagem, com as missões mais cinematográficas da campanha
- Casa Varon — fanáticos religiosos que adoram uma entidade chamada a Grande Serpente, aprofundada na DLC Shattered Space
As quest lines das facções são onde Starfield realmente brilha, entregando algumas das melhores histórias que a Bethesda produziu nos últimos anos. Já a campanha principal — centrada na coleta dos artefatos — funciona mais como fio condutor para conhecer esse universo do que como narrativa irresistível por si só. As reviravoltas existem, mas os artefatos raramente se tornam uma recompensa emocionalmente satisfatória. O melhor jeito de aproveitar Starfield é misturar a missão central com o conteúdo das facções e das DLCs.Campanha principal: funcional, mas não irresistível
A história principal existe mais para conduzir o jogador pela galáxia do que para prender pela narrativa em si. Ela tem bons momentos, com missões de escala maior e cenas marcantes, mas a motivação central — coletar artefatos para desvendar os segredos do universo — raramente empolga tanto quanto deveria. Mesmo as reviravoltas e revelações perdem força porque os artefatos em si não se tornam uma recompensa emocionalmente satisfatória.
Na prática, a campanha funciona melhor como ponto de partida do que como destino final. O melhor jeito de construir uma experiência narrativa rica em Starfield é misturar a missão central com o conteúdo das facções e das DLCs.
Aliança de Rastreadores e o sistema Criações

Duas adições relevantes que chegaram antes do lançamento no PS5 merecem destaque especial.
A Aliança de Rastreadores trouxe uma nova coleção de missões de caça-recompensa com mecânicas exclusivas: é possível escanear NPCs procurados e decidir confrontá-los, eliminá-los ou capturá-los vivos. Para quem gosta de roleplay e de construir um personagem com identidade própria, esse sistema abre possibilidades interessantes.
O sistema Criações é essencialmente uma loja de mods integrada ao jogo, onde você pode buscar e baixar modificações criadas por jogadores do mundo todo. Isso torna as possibilidades de gameplay praticamente infinitas e mantém o jogo relevante para a comunidade a longo prazo.
O update Free lanes: a maior atualização até hoje

A atualização Free Lanes é a adição mais significativa desde o lançamento e chega gratuitamente para todos os jogadores do PS5. Ela tenta corrigir — com bastante sucesso em vários pontos — a maior fraqueza de Starfield: a desconexão entre os destinos.
Modo Free Cruise
O destaque absoluto é o Free Cruise, que elimina as telas de carregamento ao viajar entre planetas de um mesmo sistema solar. Agora é possível pilotar manualmente sua nave pelo espaço, ativar o piloto automático e caminhar livremente pela embarcação durante o trajeto. Você pode conversar com sua tripulação, gerenciar o inventário, admirar as paisagens espaciais em primeira ou terceira pessoa e se aproximar de naves aliadas ou hostis pelo caminho.
Isso muda bastante a atmosfera das viagens. O espaço finalmente parece um espaço, não um menu de seleção.
Moonjumper
A Freelance também traz um novo veículo terrestre para exploração de planetas, o Moonjumper. Com sistema de saltos de grande altura e impulsionamento via nitro, ele facilita a locomoção em terrenos verticais e acesso a áreas elevadas. Como todos os veículos do jogo, o Moonjumper é customizável e pode ser melhorado ao longo da progressão.
X-Tech
O sistema X-Tech adiciona um recurso coletável que permite personalizar e evoluir armas e naves. Use-o para trocar efeitos lendários em armas, evoluir o nível delas ou desbloquear efeitos únicos de combate — destruição instantânea de robôs à distância, criação de hologramas do personagem para confundir inimigos, entre outros. As naves também ganham mais opções de customização no terminal de bordo.
Outros destaques do Freelance
- Modificadores de inimigos: encontros mais variados com adversários com dano elemental, escudos extras e padrões de ataque mais agressivos
- Anchor Point: uma estação instalada em um asteroide que pode ser adquirida com créditos e usada como base
- Novos pontos de interesse: mais locais em planetas e no espaço, incluindo novas masmorras e bases de encontro
- Muria Siarkiewicz: uma NPC querida da comunidade, de personalidade sarcástica e estilo característico, agora disponível como membro da tripulação
- Milly Whale: um pet exclusivo — uma mini baleia alienígena com perninhas, que realiza truques e pode ser customizada nas cores
- Melhorias para o New Game Plus: possibilidade de levar parte do equipamento ao reiniciar a campanha
DLC Shattered Space: horror nos sistemas colonizados

Lançada em setembro de 2024 para marcar o primeiro aniversário do jogo, a Shattered Space é focada na Casa Varon e no planeta Varon Kai. Com uma ambientação voltada ao horror e uma nova campanha completa, a DLC aprofunda a lore da facção religiosa e oferece uma experiência muito diferente do tom geral do jogo base. É o conteúdo pago mais sólido lançado até hoje.
DLC Terran Armada: novas ameaças e incursões

A Terran Armada é a DLC mais recente e chega junto ao lançamento no PS5. Ela introduz uma força militar avançada e perigosa, composta majoritariamente por guerreiros robóticos, que chega aos sistemas colonizados com uma presença ameaçadora para todas as facções.
O grupo é formado por membros da Confederação e da União das Colônias que se veem como os verdadeiros herdeiros da Terra. Suas motivações e ações causam consequências reais na galáxia. Nem todos os integrantes são necessariamente antagonistas, o que garante nuances interessantes à narrativa.
Além da campanha principal e das sidequests, a DLC traz o sistema de incursões — uma das adições mais bem executadas do jogo. As incursões são eventos de alta intensidade que vão de embates rápidos no espaço a infiltrações de larga escala com duração considerável e dificuldade variada. Elas oferecem recompensas únicas e podem ter a frequência ajustada pelo jogador.
O conteúdo ainda inclui:
- Novo companheiro: um mini-robô do modelo G com personalidade e aparência customizáveis
- Novos trajes, armamentos e peças de nave
- Possibilidade de roubar equipamentos dos membros da Terran Armada
- Novos módulos para construção de entrepostos
Exploração: onde o jogo ainda decepciona
Com todas essas adições, vale ser honesto: a exploração continua sendo o ponto mais fraco de Starfield. O Free Cruise ameniza o problema ao tornar as viagens mais imersivas, mas não resolve o coração da questão.
Starfield não é aquele RPG em que você desvia da rota principal e encontra coisas fascinantes pelo caminho. Fora das cidades criadas manualmente, os planetas gerados proceduralmente ainda carecem de marcos memoráveis, daquelas descobertas inesperadas que faziam os mundos de Skyrim e Fallout parecerem vivos. A motivação para sair da rota continua pequena. O jogo permanece com uma estrutura fragmentada, de blocos separados, em vez de um mundo que respira de forma orgânica.
Em jogos anteriores da Bethesda, bastava ver algo no horizonte para querer ir até lá. Em Starfield, essa dinâmica ainda não está plenamente presente — e provavelmente nunca estará, dado o design estrutural do jogo.
Combate: o grande acerto da Bethesda

Se existe uma área em que Starfield supera todos os jogos anteriores do estúdio, é no combate. Atirar, trocar de arma, movimentar-se e adaptar a abordagem a cada confronto é divertido por conta própria — sem necessidade de um equivalente ao VATS para funcionar bem.
Os poderes desbloqueáveis adicionam camadas táticas às batalhas. Os companheiros oferecem apoio real. E o sistema de persuasão ainda permite evitar confrontos quando a situação permite. Quando a conversa falha, o combate dá conta do recado com muito mais competência do que em qualquer outro título da Bethesda.
Desempenho e gráficos no PS5 e PS5 Pro

No aspecto técnico, Starfield no PS5 apresenta um desempenho sólido e estável. Pequenos glitches podem aparecer, como personagens fora do lugar ou objetos se atravessando, mas o jogo está num estado muito mais confiável do que no lançamento original.
Visualmente, há melhorias perceptíveis. Áreas como a flora de New Atlantis aparecem com mais detalhe do que nas versões anteriores para console.
No PS5 padrão:
- Modo Visual: alvo de 30 fps
- Modo Performance: alvo de 60 fps
No PS5 Pro:
- Modo Pro Visual: 4K a 30 fps
- Modo Pro Performance: alvo de 60 fps
- Modo de 40 fps
- Suporte à tecnologia PSSR
É um conjunto de opções que cobre praticamente todos os perfis de jogador.
🏁 Veredito Final
Sim, Starfield vale a pena no PS5 e está em sua melhor forma: o conteúdo de facções é consistente, o combate é o mais refinado da Bethesda, as DLCs aprofundam a experiência e o Free Cruise melhora bastante a exploração espacial, tudo isso com um pacote técnico sólido. A edição premium é a mais indicada, especialmente para quem aguardava a versão ideal no PlayStation. Ainda assim, quem espera um sucessor direto de Skyrim ou Fallout: New Vegas pode sentir irregularidade, já que o jogo brilha em missões e arcos bem construídos, mas perde força fora deles — mesmo com um universo rico que oferece dezenas de horas de conteúdo.
Nota
8/10
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