Agradecimento especial: Agradecemos à SONY PLAYSTATION pelo envio da key de PS5 de SAROS, que tornou esta review possível. Todo o conteúdo abaixo reflete exclusivamente a experiência da redação, de forma independente.
Saros é o novo roguelite de ação da Housemarque — o mesmo estúdio responsável por Returnal. Mas, desta vez, a proposta é diferente: a progressão é mais generosa, a estrutura menos punitiva e o ritmo mais acessível. Para quem quer saber diretamente se o jogo vale a pena, a resposta curta é sim — especialmente se você gostou da ideia de Returnal, mas não aguentou a dificuldade.
Esta review cobre tudo que importa antes da compra: como funciona a progressão, qual é a dificuldade real, quanto tempo dura, como são as builds, os chefes, os coletáveis e para quem Saros é indicado.
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O que é Saros e que tipo de jogo ele é?

Saros é um roguelite de ação. Isso significa que morrer faz parte do ciclo do jogo, mas a progressão não é perdida por completo. Em vez de resetar tudo de forma brutal, o jogo mantém elementos de avanço permanente — como melhorias em árvore de habilidades e desbloqueios que facilitam tentativas futuras.
A história acompanha Arjun, que chega a um planeta desconhecido e hostil. Esse mundo muda constantemente e revela, aos poucos, informações sobre o passado do protagonista, de outras expedições e dos eventos estranhos que tomaram conta do lugar. O tom narrativo mistura mistério, ficção científica sombria e elementos cósmicos e lovecraftianos, com lore fragmentada espalhada em textos, cenas e codex.
“Em termos práticos, Saros é um roguelite mais leve. Cada tentativa rende alguma recompensa — mesmo quando o jogador morre.”
Saros vs Returnal

A comparação entre Saros e Returnal revela abordagens distintas para o gênero roguelike de ficção científica. Embora ambos compartilhem uma ambientação sci-fi imersiva, a experiência prática muda drasticamente conforme o perfil do jogador.
Desafio e Progressão
Em primeiro lugar, o Saros oferece uma dificuldade média-alta e um sistema de progressão permanente generoso. Além disso, o jogo facilita a jornada ao salvar o avanço logo após cada chefe. Em contrapartida, o Returnal é muito mais punitivo, visto que apresenta uma dificuldade alta e progresso limitado, exigindo que o jogador reinicie quase tudo ao morrer.
Acessibilidade
No quesito acessibilidade, Saros se destaca como a melhor porta de entrada, sobretudo porque inclui modificadores de dificuldade que facilitam a adaptação do jogador. Em contrapartida, Returnal não traz esse tipo de ajuste e, por isso, direciona sua experiência a quem busca um alto nível de desafio técnico. Assim, enquanto Saros valoriza uma progressão mais constante e acessível, Returnal aposta em uma jornada marcada pela persistência e pela superação extrema.
Como funciona a progressão em Saros?

O sistema de progressão é uma das melhores partes do jogo. Ele foi construído para fazer cada tentativa render alguma recompensa, mesmo quando o jogador morre.
Áreas e avanço entre biomas
Em vez de obrigar a refazer tudo do zero, Saros permite começar a partir da próxima área depois que o chefe de uma região é derrotado. Cada chefe está ligado a uma área; ao derrota-lo, a próxima região fica disponível e algumas áreas também recebem atalhos permanentes. Isso reduz a repetição excessiva sem eliminar a essência roguelite.
Level durante a run
Ao derrotar inimigos, o personagem ganha nível. Os monstros deixam recursos que ajudam nessa evolução, mas é preciso coletá-los rapidamente em certos casos. Esse sistema cria uma escolha importante: começar direto de uma área avançada com nível base menor, ou refazer desde o início acumulando mais poder antes de seguir em frente.
Árvore de habilidades permanente
Morrer ainda gera progresso. Recursos obtidos nas runs podem ser investidos em uma árvore de habilidades permanente com upgrades como aumento de vida, melhorias de escudo, nível inicial mais alto, mais drops de inimigos e efeitos que funcionam como chances extras de sobrevivência. A árvore é liberada em etapas — certos trechos só ficam disponíveis após derrotar chefes específicos, mantendo a sensação de evolução ao longo de toda a campanha.
Saros é difícil? Qual é a dificuldade real?

Saros não é um jogo fácil no sentido casual, mas também não chega perto da dificuldade mais dura de Returnal. Pode ser classificado como médio para difícil, com uma margem grande para adaptação. O combate exige atenção, leitura de padrões e um mínimo de paciência, porém o jogo entrega ferramentas suficientes para que quase sempre haja uma forma de facilitar a progressão.
Mais adiante, o jogo libera um sistema de modificadores baseado em equilíbrio entre bônus e penalidades. Existe uma espécie de medidor que impede abusos totais em condições normais, exigindo contrapartidas para liberar vantagens. Mesmo assim, o sistema já permite montar combinações muito fortes — e há uma configuração que relaxa esse limite, tornando a experiência ainda mais acessível para quem estiver travado.
Combate, armas e builds: como funciona?

O combate é um dos pilares do jogo e funciona bem porque as armas e os sistemas complementares oferecem variedade suficiente para criar estilos diferentes de run. Saros não se limita a mudar dano e cadência — as armas podem ter modificações que alteram seu comportamento de forma relevante: tiros com espalhamento diferente, variações de disparo secundário, mudanças no padrão de ataque, efeitos especiais que transformam a arma e até mira automática em alguns casos.
Artefatos moldam cada tentativa
Os artefatos são fundamentais para construir poder durante cada run. Eles podem aumentar vida, melhorar dano, gerar efeitos passivos úteis ou oferecer vantagens fortes com contrapartidas negativas. Esse risco e recompensa é típico do gênero: alguns artefatos valem muito a pena, outros pedem cautela. Em certas runs, recusar um item pode ser a decisão mais inteligente.
Escudo e habilidade especial
Além das armas principais, existe um sistema ligado ao escudo e a um tipo de habilidade especial. O escudo permite absorver certos projéteis, o que alimenta esse recurso secundário. Conforme o progresso avança, o jogo amplia as possibilidades: absorver mais tipos de projéteis, usar golpes especiais diferentes e interagir melhor com ataques específicos dos inimigos.
Os chefes de Saros são bons?

Sim. Os chefes estão entre os melhores elementos do jogo. As lutas se destacam por três motivos: visual marcante, boa leitura de padrões e aprendizado mais natural entre tentativas.
Como a estrutura do jogo permite revisitar uma área específica sem um percurso excessivo, reaprender o confronto fica menos cansativo. Em vez de parecer injusto, o desafio tende a ser do tipo que melhora com prática e observação — um dos aspectos mais satisfatórios do jogo.
A história de Saros
Sim, mas ela não é direta. A narrativa é construída de forma gradual e muitas respostas não chegam de imediato. Chefes derrotados ajudam a expandir informações no codex, o que significa que parte do entendimento da história depende de continuar jogando e desbloqueando mais contexto.
O maior acerto é a atmosfera. O jogo sustenta bem a sensação de estranheza, ruína e ameaça cósmica. O planeta, as mudanças no ambiente e o passado fragmentado do protagonista criam curiosidade real sobre o que aconteceu. Em compensação, quem prefere histórias lineares e explicadas logo de cara pode achar o começo confuso — isso não é erro de roteiro, mas parte da proposta de revelação gradual.
Quanto tempo dura Saros?

A campanha principal gira em torno de 20 horas para concluir o conteúdo principal e ver o encerramento adicional ligado à história. Para a platina ou 100%, a estimativa fica em torno de 25 horas. Quem quiser explorar builds, modificadores e novas combinações de artefatos pode facilmente superar esse número — a rejogabilidade é genuína.
Quais são os problemas de Saros?
O maior ponto fraco é a variedade de inimigos. No início, há apresentação de novos adversários com frequência razoável. Depois de certa altura, essa renovação desacelera bastante e a campanha passa a reutilizar muitos dos mesmos tipos até o final — o que torna o combate mais previsível e reduz o frescor da segunda metade.
As expressões faciais também ficam abaixo do esperado em momentos mais dramáticos, enfraquecendo algumas cenas. O visual em geral cumpre bem seu papel, mas não se destaca como um dos mais impressionantes da plataforma.
Pontos Positivos
- Progressão permanente bem pensada
- Combate responsivo e fluido
- Chefes visualmente marcantes
- Sistema de builds com profundidade
- Atmosfera e lore intrigantes
- Mais acessível que Returnal
- Platina sem RNG excessivo
Pontos Negativos
- Variedade de inimigos cai na 2ª metade
- Expressões faciais abaixo do ideal
- Narrativa pode confundir no início
- Preço de lançamento pode pesar
Saros é para quem?
Saros é uma ótima escolha para fãs de roguelites de ação, builds e progressão permanente, especialmente para quem se interessou pela proposta de Returnal, mas encontrou um nível de dificuldade elevado demais. Além disso, o jogo conquista quem aprecia narrativas com lore fragmentada, atmosfera cósmica e chefes bem elaborados.
Por outro lado, pode não agradar tanto quem busca uma história totalmente clara desde o início, bem como variedade constante de inimigos até o final ou, ainda, um visual mais avançado com foco em realismo facial.
🏁 Veredito Final
Saros é facilmente um dos melhores roguelites de ação lançados nos últimos anos. Seus maiores acertos — como a progressão bem estruturada, o combate responsivo, chefes marcantes e uma atmosfera intrigante — superam com folga limitações como a pouca variedade de inimigos e expressões faciais simples. Para fãs do gênero que buscam uma experiência intensa, mas menos frustrante que Returnal, Saros se apresenta como uma compra quase obrigatória.
Nota


