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Aphelion

Aphelion — Ficção Científica Com Alma | Review

Agradecimento especial: Agradecemos à DON’T NOD pelo envio da key de PS5 de Aphelion, que tornou esta review possível. Todo o conteúdo abaixo reflete exclusivamente a experiência da redação, de forma independente e sem interferência do estúdio.

A DON’T NOD construiu sua reputação ao longo dos anos apostando em histórias emocionalmente carregadas — afinal, a franquia Life is Strange é a prova mais concreta disso. Agora, em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA), o estúdio francês dá um salto ousado rumo ao espaço com Aphelion, um jogo de ação e aventura em terceira pessoa que une exploração, furtividade e drama humano em um cenário gélido e hostil.

Lançado em 28 de abril de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, o título tenta equilibrar realismo científico com emoção genuína — e é exatamente nessa tensão que ele encontra tanto sua identidade quanto seus limites.


Ficha Técnica

JogoAphelion
DesenvolvedorDON’T NOD
Lançamento28 de abril de 2026
PlataformasPS5, Xbox Series X|S, PC (Steam)
GêneroAção / Aventura / Furtividade

Aphelion – Uma História de Espaço, Solidão e Sentimentos

Aphelion
O planeta Persephone: belo, gélido e implacável. Crédito: DON’T NOD / ESA

Aphelion acompanha Ariane e Thomas, dois astronautas da ESA enviados para avaliar Persephone — um nono planeta recém-descoberto na borda do sistema solar e a última esperança da humanidade, já que a Terra se tornará inabitável por volta de 2060. No entanto, um acidente logo no pouso transforma a missão científica em uma luta desesperada pela sobrevivência e, sobretudo, pelo reencontro dos dois protagonistas.

A narrativa se constrói de forma alternada entre os pontos de vista de Ariane e Thomas, revelando não apenas os perigos do planeta congelado, mas também os sentimentos reprimidos que os dois carregam. Essa camada emocional é um dos pontos mais fortes do jogo: as atuações de voz conseguem transmitir tensão, saudade e fragilidade de maneira orgânica, aproximando o jogador de uma relação cheia de nuances.

Em termos de atmosfera, Aphelion evoca com eficiência produções como Interestelar — tanto pelo tom contemplativo quanto pela sensação constante de insignificância diante do cosmos. Mais importante ainda: o jogo não romantiza a vida de astronauta. Pelo contrário, ele deixa claro que o espaço pode ser tão fascinante quanto aterrorizante, especialmente quando tudo dá errado a quilômetros de distância de qualquer ajuda.

“Aphelion não trata o espaço como cenário — ele o usa como personagem. Persephone é bela e letal ao mesmo tempo, e essa dualidade impregna cada momento da jornada.”

O desfecho da história emociona, mas deixa aquela leve sensação de que poderia ter ido além — como se faltasse um último passo para fechar a jornada com mais impacto. Ainda assim, trata-se de uma narrativa sólida, que prende a atenção durante a maior parte da experiência.


Jogabilidade: Dois Ritmos, Uma Mesma Missão

Aphelion
A ameaça alienígena, chamada de Nemesis, exige paciência e leitura cuidadosa do ambiente. Crédito: DON’T NOD

A estrutura de gameplay acompanha a proposta narrativa ao dividir a experiência entre os dois protagonistas, criando estilos de jogo bem distintos. Controlar Ariane traz uma dinâmica que lembra Tomb Raider: há escaladas em cavernas congeladas, saltos cronometrados, uso de grappling hook e puzzles ambientais que exigem atenção constante. O sistema de impulso e a necessidade de acertar o timing dos movimentos criam tensão genuína — um erro pode ser fatal.

Além disso, o jogo introduz sequências de furtividade para driblar a ameaça alienígena que ronda Persephone. Esses momentos adicionam suspense e são bem construídos na maior parte do tempo, embora o comportamento da IA inimiga nem sempre funcione como deveria — há instâncias em que a criatura simplesmente ignora o jogador em situações em que deveria reagir.

Já com Thomas, o ritmo muda completamente. A experiência adota uma pegada mais introspectiva, próxima de um walking simulator, com foco em exploração de bases, gerenciamento de recursos e superação de limitações físicas causadas por seus ferimentos. Essa troca de ritmo é interessante inicialmente, mas pode cansar com o tempo — especialmente quando combinada com a repetição de cenários e interações na segunda metade do jogo.

No total, a campanha tem aproximadamente 10 horas de duração — suficiente para ser envolvente sem se tornar desgastante, embora a repetição comece a pesar nos capítulos finais.


Visual Impressionante, Polimento Irregular

As paisagens de Persephone são visualmente impressionantes, especialmente nas cenas abertas. Crédito: DON’T NOD

Do ponto de vista técnico e artístico, Aphelion impressiona ao apresentar Persephone como um mundo congelado, hostil e ao mesmo tempo hipnótico. As paisagens geladas, as cavernas subterrâneas e as tempestades criam uma ambientação que reforça com eficiência a sensação de isolamento e de perigo iminente.

Contudo, essa imersão é frequentemente interrompida por problemas técnicos que surgem ao longo da campanha. Durante nossa jornada no PS5, encontramos bugs que vão desde animações estranhas até situações mais sérias, como personagens presos em geometria e inimigos que deixam de reagir corretamente. Algumas telas de morte também passam a impressão de estarem inacabadas, o que prejudica o senso de acabamento geral do produto.

Vale destacar, no entanto, que a DON’T NOD demonstrou consciência desses problemas, e parte deles pode ser corrigida em atualizações futuras. Por outro lado, merece reconhecimento o cuidado com acessibilidade: o jogo oferece diversas opções para adaptar a experiência, incluindo tanque de oxigênio infinito para Thomas — permitindo que jogadores interessados apenas na narrativa possam desfrutá-la sem barreiras.


A Colaboração com a ESA: Um Diferencial Real

O traje de Ariane foi desenvolvido com base em dados reais da ESA. Crédito: DON’T NOD

Um dos aspectos que genuinamente diferencia Aphelion de outros jogos de ficção científica é a parceria com a Agência Espacial Europeia. Essa colaboração não é apenas um selo de marketing — ela se traduz em detalhes concretos: a representação do treinamento de astronautas, os procedimentos de sobrevivência, as características físicas do planeta Persephone e até a patch da missão Hope-01, desenvolvida em conjunto com a ESA.

O resultado é um jogo que, mesmo sendo ficção, transmite credibilidade e respeito pelo universo da exploração espacial real. Para quem tem interesse nesse tema, essa camada de verossimilhança acrescenta considerável valor à experiência.


Aphelion ícone

🏁 Veredito Final

Aphelion é um triunfo narrativo e visual prejudicado por problemas técnicos e mecânicas repetitivas. É obrigatório para assinantes do Game Pass, mas quem busca polimento absoluto deve aguardar atualizações antes de investir na compra individual.

Nota

7,5/10


Pontos Positivos e Negativos

✅ Positivos

  • Narrativa emocional bem construída
  • Atuações de voz naturais e envolventes
  • Ambientação visual impressionante
  • Parceria com a ESA traz verossimilhança única
  • Opções robustas de acessibilidade
  • Dois estilos de gameplay distintos e complementares

❌ Negativos

  • Bugs e problemas de polimento frequentes
  • IA inimiga inconsistente
  • Repetição de mecânicas na segunda metade
  • Desfecho narrativo poderia ser mais ousado
  • Telas de morte com aparência inacabada

Review produzida com base em key de PS5 cedida pela DON’T NOD. Aphelion está disponível para PS5, Xbox Series X|S e PC. O jogo está incluído no Xbox Game Pass desde o lançamento.

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