Call of Duty: Modern Warfare 4 é o novo capítulo da série de tiro da Activision, desenvolvido pela Infinity Ward. O jogo traz uma nova campanha ambientada em um conflito militar moderno, além dos tradicionais modos multiplayer e de uma experiência de extração que amplia as opções para quem busca desafios além da história principal.
Agradecemos à Activision por disponibilizar ao CasaPlayStation uma chave de Call of Duty: Modern Warfare 4 para PlayStation 5, utilizada na elaboração desta análise.
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Uma campanha que faz jus à franquia

O maior acerto de Call of Duty: Modern Warfare 4 está na campanha. Em vez de insistir na estrutura mais aberta que marcou parte da experiência anterior, o jogo recupera uma progressão mais direcionada, construída em torno de missões variadas e sequências de ação que mantêm a história em movimento.
A jogabilidade também mostra por que a franquia continua sendo uma referência nos jogos de tiro em primeira pessoa. Os controles respondem bem, as armas transmitem uma sensação satisfatória a cada disparo e a movimentação permite reagir rapidamente às ameaças. A variedade de armamentos e situações mantém os confrontos interessantes, alternando tiroteios que exigem precisão com sequências caóticas em que é preciso tomar decisões em poucos segundos.
Explosões, fumaça e os elementos dos cenários ajudam a dar intensidade aos combates, reforçando a sensação de participar de operações militares em grande escala. Essa combinação entre jogabilidade responsiva e apresentação cinematográfica faz com que as missões sejam envolventes tanto nos momentos mais controlados quanto nos confrontos de maior escala.
A narrativa alterna entre o Capitão Price e sua equipe, envolvidos em uma investigação que se desenrola nas sombras, e um grupo de soldados que precisa enfrentar a invasão da Coreia do Sul pela Coreia do Norte. A mudança de perspectiva ajuda a variar o tom da campanha, colocando lado a lado a experiência de quem já conhece os horrores da guerra e a insegurança de quem está vivendo esse cenário pela primeira vez.
Gráficos que impressionam

Se a campanha já seria um dos grandes motivos para jogar, a apresentação visual eleva ainda mais a experiência. Os cenários têm um nível de detalhe impressionante, a iluminação contribui para a atmosfera e as sequências cinematográficas demonstram o cuidado técnico empregado pela equipe.
Em determinados momentos, a qualidade das cutscenes é tão impressionante que fica difícil distinguir imediatamente se estamos vendo gráficos renderizados pelo próprio jogo ou uma sequência em live-action. É um daqueles casos em que a apresentação visual chama a atenção sem precisar recorrer a exageros: as imagens falam por si.
Esse espetáculo técnico combina muito bem com a direção da campanha, reforçando a sensação de participar de uma produção de ação de grande escala. Mesmo quando a narrativa não desenvolve todos os seus personagens como poderia, a execução das missões e a apresentação audiovisual ajudam a manter o envolvimento.
Multiplayer precisa de alguns ajustes

O cenário muda um pouco no multiplayer. A movimentação tem uma abordagem mais cadenciada, com maior ênfase no posicionamento e na precisão dos disparos. A mudança favorece confrontos em que escolher bem quando avançar é tão importante quanto acertar os tiros.
O mapa Kill Block representa bem essa proposta. Seu layout se transforma durante as partidas, alterando obstáculos e caminhos disponíveis. Isso obriga as equipes a adaptar suas estratégias e evita que os confrontos dependam sempre das mesmas rotas.
Infelizmente, essa criatividade não se estende de maneira uniforme aos demais mapas. Problemas de reaparecimento fazem com que alguns jogadores retornem à partida em situações desfavoráveis, inclusive sob a mira dos adversários. Certos modos também acabam favorecendo equipes que permanecem nas bases inimigas, reduzindo o espaço para confrontos mais equilibrados.
Essas falhas prejudicam a experiência, sobretudo quando uma partida que deveria ser disputada se transforma em uma sequência frustrante de eliminações. O multiplayer continua divertido, mas precisa de ajustes para alcançar o mesmo nível de consistência da campanha.
DMZ tenta aproveitar a popularidade dos extraction shooters

Com jogos como ARC Raiders e Escape from Tarkov ajudando a manter os extraction shooters em evidência, a Infinity Ward aposta novamente no DMZ como uma alternativa aos modos tradicionais de Call of Duty. A proposta é simples de entender, mas difícil de dominar: entrar em uma região hostil, cumprir objetivos, reunir recursos e conseguir sair vivo com o que foi conquistado.
As incursões acontecem em Hajin, uma região que combina áreas urbanas, instalações protegidas e diferentes possibilidades de exploração. A verticalidade dos cenários também amplia as opções de abordagem, permitindo utilizar telhados e caminhos alternativos para alcançar determinados objetivos.
O modo ganha variedade com as Operações Dinâmicas, que apresentam tarefas como escoltar alvos e invadir áreas fortificadas. Há ainda missões narrativas que exigem coordenação entre os integrantes do grupo e colocam os jogadores em situações de combate mais controladas, mas igualmente intensas.
Entre as incursões, a Base de Operações Avançadas funciona como ponto de preparação. É possível administrar recursos, fabricar equipamentos e desenvolver operadores com habilidades próprias. Essa camada de progressão dá mais importância às escolhas feitas antes de cada partida, já que os equipamentos levados para o campo podem fazer a diferença entre uma extração bem-sucedida e uma derrota.
O problema é que o sistema de perdas pesa bastante. Morrer pode significar perder armas e o progresso acumulado pelo operador, tornando cada incursão mais arriscada. Embora essa punição reforce a tensão que define o gênero, ela também pode tornar a progressão frustrante quando várias tentativas terminam em fracasso.
Jogar sozinho é outro desafio. Os inimigos controlados pela inteligência artificial pressionam constantemente, enquanto os encontros com outros esquadrões frequentemente terminam em tiroteios rápidos. Para quem procura uma experiência mais furtiva, o comportamento agressivo dos adversários pode ser um obstáculo; já para grupos dispostos a correr riscos, o modo oferece boas oportunidades para partidas imprevisíveis.
O DMZ é uma adição interessante e amplia a variedade de Call of Duty: Modern Warfare 4, embora seu sistema punitivo e a agressividade dos confrontos possam afastar parte dos jogadores. É uma aposta que tem potencial, mas exige paciência e disposição para aprender com as derrotas.
Excelente
Call of Duty: Modern Warfare 4 encerra essa fase da franquia em grande estilo. A campanha se destaca pelas missões envolventes e pelos gráficos impressionantes, com cutscenes que chegam a parecer live-action. Apesar dos problemas no multiplayer e de um DMZ que exige paciência, o conjunto entrega uma experiência excelente e faz jus à importância desse capítulo.
Pontos fortes e fracos
Pontos fortes
- Campanha envolvente e bem construída
- Gráficos impressionantes e cutscenes de alto nível
- Jogabilidade responsiva e tiroteios satisfatórios
- DMZ oferece uma alternativa interessante aos modos tradicionais
Pontos fracos
- Antagonista pouco desenvolvido
- Problemas de reaparecimento e balanceamento no multiplayer
- DMZ punitivo para quem perde um operador

