Nota de transparência: Gostaríamos de agradecer imensamente à PlaySide Studios pelo envio da key de PS5 de MOUSE: P.I. For Hire, gentilmente cedida para fins de análise jornalística. A key foi disponibilizada gratuitamente, porém isso não influenciou de nenhuma forma nossa avaliação ou o resultado final desta review. Como sempre, nossa análise reflete exclusivamente a experiência real com o produto.
Plataforma: PS5
Gênero: FPS / Investigação
Lançamento: 16 Abr 2026
Desenvolvedora: Fumi Games
🎮 Ficha Técnica
🕹️ Título: MOUSE: P.I. For Hire
🏢 Desenvolvedora: Fumi Games
📢 Publicadora: PlaySide Studios
💻 Plataformas: PS5, Xbox Series X|S, Switch 2 e PC
📅 Lançamento: 16 de abril de 2026
👤 Modo: Single-player
Bem-vindo a Mouseburg — cidade do crime, do jazz e das balas de canhão
Quando a Fumi Games anunciou MOUSE: P.I. For Hire, muitos esperavam apenas mais um jogo de visual chamativo com gameplay rasa. O que chegou ao PS5 em 16 de abril de 2026, porém, surpreendeu a todos: trata-se de um dos first-person shooters mais originais e bem executados dos últimos anos, capaz de unir a nostalgia dos cartoons de borracha dos anos 30 a um sistema de combate contemporâneo de alto nível.
Em MOUSE: P.I. For Hire, o jogador assume o papel de Jack Pepper, um ex-herói de guerra reconvertido em detetive particular na cidade fictícia de Mouseburg — um lugar repleto de corrupção, gangues armadas e conspirações que vão muito além de uma simples ocorrência policial. Com dublagem do talentoso Troy Baker, Jack é um protagonista cativante: seco, irônico e genuinamente curioso de se acompanhar ao longo dos casos.
Vale ressaltar que, antes mesmo de entrar nos méritos do gameplay, é impossível não se deter na apresentação visual do jogo. Os personagens se movem com aquela animação ondulante e elástica característica dos clássicos dos estúdios de Hollywood dos anos 30 — cada frame desenhado à mão, quadro a quadro, transmitindo uma autenticidade estética raramente vista em jogos modernos. Se Cuphead abriu as portas para esse estilo, Mouse as escancarou de vez.
Uma trama noir de verdade — sombria, bem escrita e cheia de reviravoltas

A história de MOUSE: P.I. For Hire é estruturada em casos independentes que, à medida que avançam, se interligam em uma conspiração de proporções surpreendentes. Desde um mágico desaparecido até uma escassez suspeita de musaranhos pela cidade, cada investigação carrega camadas de humor absurdo e, ao mesmo tempo, uma seriedade noir que faz o tom funcionar de maneira brilhante.
Entre os aspectos mais positivos da narrativa, destaca-se a qualidade da escrita. Os diálogos são ágeis, os personagens secundários têm personalidade marcante — como Tammy Tumbler, a mecânica que melhora suas armas, e Wanda Fuller, interpretada por Florian Clare — e o humor nunca parece forçado. Jack solta piadas secas enquanto narra internamente cada passo da investigação, criando aquela atmosfera de hardboiled detective que remete aos melhores filmes noir clássicos.
“A narrativa de MOUSE consegue algo raro: ser simultaneamente engraçada e genuinamente envolvente. Você quer saber o que acontece a seguir — e isso é tudo o que uma boa história precisa fazer.”
Por outro lado, vale mencionar que o mural de pistas no escritório de Jack — um dos recursos mais prometidos no marketing do jogo — acaba sendo mais passivo do que o esperado. As evidências se organizam automaticamente, sem que o jogador precise fazer conexões por conta própria. Trata-se de uma oportunidade perdida de aprofundar a mecânica investigativa. Felizmente, isso não compromete a experiência como um todo, já que a investigação continua presente em momentos de exploração, coleta de itens e conversas com NPCs.
Gameplay e Combate

No coração da experiência de MOUSE: P.I. For Hire, o sistema de combate se destaca ao equilibrar, com maestria, a agilidade de DOOM Eternal com a exploração típica dos clássicos “boomer shooters”. Dessa forma, MOUSE: P.I. For Hire exige posicionamento constante e reflexos rápidos, mas, ao mesmo tempo, evita o estresse excessivo comum ao gênero, entregando um ritmo frenético e equilibrado. Além disso, embora a progressão de MOUSE: P.I. For Hire seja linear, o mapa surpreende ao oferecer inúmeros segredos e caminhos ocultos.
Em diversos momentos, me peguei questionando como acessar determinadas salas ou áreas específicas, o que naturalmente incentivava uma exploração mais aprofundada. Como resultado, explorar o mapa em MOUSE: P.I. For Hire se torna uma atividade altamente recompensadora, seja ao encontrar cofres, itens para upgrades ou itens escondidos. Além disso, MOUSE: P.I. For Hire apresenta uma boa variedade de colecionáveis, o que torna a busca por cada um deles ainda mais envolvente e divertida. Portanto, para quem busca completar tudo, a exploração em MOUSE: P.I. For Hire é não apenas essencial, mas também um dos pontos mais satisfatórios da experiência.
Arsenal e Customização
Somado a isso, o arsenal se destaca como um dos pontos mais criativos do título. Além das opções tradicionais, o jogador conta com armas de nomes inspirados, como a Micer e a James Gun. Para elevar o nível de estratégia, é possível visitar a oficina da Tammy, onde o sistema B.A.N.G. permite aplicar upgrades que vão desde o aumento de dano até modos de disparo alternativos, tornando cada arma ainda mais letal.
Movimentação e Inimigos
No entanto, o combate não seria tão satisfatório sem a movimentação responsiva de Jack. Graças a recursos como o dash, o deslize e o salto duplo, as arenas se transformam em palcos de coreografia caótica. Dessa forma, o jogo desencoraja o uso excessivo de coberturas, uma vez que a IA persistente dos inimigos força o jogador a manter uma postura agressiva e dinâmica o tempo todo.
Chefes e Criatividade
Por fim, o design das batalhas contra chefes e inimigos especiais coroa a obra. Confrontos como o da Robo-Betty testam a reatividade do jogador através de fases progressivas. Além do mais, o jogo introduz mecânicas inventivas, como o uso da lanterna para enfraquecer a Terceira Esposa, provando que a equipe de desenvolvimento buscou caminhos originais para expandir a fórmula básica do FPS.
Visualmente impecável — cada frame é uma obra de arte animada

Desde o momento em que abri o jogo pela primeira vez, fui atingido por uma “vibe” de Cuphead extremamente forte, fruto de uma escolha visual muito semelhante aos desenhos clássicos. Embora MOUSE: P.I. For Hire opte por uma estética totalmente em preto e branco, a essência das animações antigas está ali, elevando o título através de uma direção de arte excepcional. O jogo utiliza a técnica de billboarding — personagens 2D em cenários 3D — para criar a ilusão de estarmos dentro de um cartoon dos anos 30. Além disso, detalhes como inimigos que viram cinzas e piadas visuais em paredes e barris explosivos reforçam esse charme nostálgico a cada segundo.
Atmosfera e Trilha Sonora
Nesse sentido, a paleta monocromática está longe de ser uma limitação; na verdade, trata-se de uma escolha artística corajosa que se prova totalmente recompensada. Afinal, a iluminação dramática e as sombras expressionistas constroem uma atmosfera densa em cada cenário visitado. Para completar essa ambientação, a trilha sonora original de big band jazz surge de forma impecável, soando como um disco de vinil autêntico tocando em um antigo bar speakeasy.
Dublagem e Performance

Por outro lado, não é apenas a parte técnica que impressiona, mas também a alma dada aos personagens através da dublagem. Com efeito, Troy Baker entrega uma performance carismática e contida como Jack Pepper, sendo acompanhado por nomes de peso como Fred Tatasciore e Camryn Grimes. Dessa maneira, o elenco consegue dar vida a figuras memoráveis que permanecem na mente do jogador muito tempo depois de saírem da tela, consolidando a imersão narrativa do projeto.
Mouseburg vai além dos tiroteios — e isso faz toda a diferença
Entre os casos, o jogador retorna ao hub central de Mouseburg, composto por três áreas principais: o escritório de Jack (onde fica o mural de pistas), o bar local e a oficina da Tammy. Esse espaço de transição poderia ser apenas um menu disfarçado, mas a Fumi Games fez questão de torná-lo um lugar vivo e interessante.

O bar serve como ponto de encontro com NPCs que revelam informações adicionais sobre a cidade e seus habitantes. A oficina permite upgrades de armas com recursos coletados durante as missões. E o escritório de Jack, apesar de entregar o mural de pistas de forma automática, ainda é um espaço repleto de detalhes visuais que valem a pena explorar com calma. Há ainda um minigame de cartas de beisebol — um bônus simpático para quem gosta de colecionáveis — e fechaduras espalhadas pelos níveis que podem ser destrancadas usando a cauda de Jack em um minigame de lockpicking bem executado.
Com mais de 20 capítulos no total e cada um durando em torno de 40 a 50 minutos, MOUSE: P.I. For Hire entrega uma experiência substancial. O ritmo é bem calibrado: a ação nunca cansa porque o jogo constantemente introduz novas mecânicas, inimigos e cenários antes que a repetição possa se instalar.
✦ Pontos Fortes
- Direção de arte absolutamente singular e memorável
- Sistema de combate fluido, satisfatório e bem equilibrado
- Arsenal criativo com upgrades significativos
- Trilha sonora de big band jazz atmosférica e original
- Dublagem de alto nível com Troy Baker
- Narrativa noir genuinamente interessante
- Boss fights variadas com mecânicas criativas
- Hub world com vida e personalidade
✦ Pontos a Melhorar
- Mural de pistas poderia ser mais interativo
- Mecânicas de investigação um tanto passivas
- Dificuldade padrão pode ser fácil demais para veteranos de FPS
- Ausência de dublagem em português
🏁 Veredito Final
MOUSE: P.I. For Hire consolida-se como um dos grandes destaques de 2026 ao unir, com maestria, um gameplay de FPS moderno a uma estética noir inesquecível. Dessa forma, o jogo supera a mera comparação visual com Cuphead, permitindo que a Fumi Games entregue uma experiência autêntica e mecanicamente impecável. Em suma, se você busca originalidade e ação frenética sob uma trilha de jazz, este título é, portanto, absolutamente obrigatório.
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