🌿 Planet of Lana II: um mundo que vale voltar a visitar
Há jogos que ficam por suas mecânicas. Outros, pela história. Planet of Lana, por sua vez, ficou pelas duas coisas — mas, acima de tudo, ficou pela sensação. Aquela mistura de beleza pintada à mão, silêncio contemplativo e parceria genuína entre Lana e Mui foi rara de encontrar em qualquer geração. Portanto, Planet of Lana II: Children of the Leaf carregava uma missão difícil: honrar tudo isso sem apenas repetir.
A boa notícia é que a Wishfully não só honrou o que construiu — expandiu. A dupla está mais ágil, o mundo está mais rico e, além disso, os puzzles chegaram a um nível de engenharia que o primeiro jogo só prometia. No entanto, o estúdio ainda prefere jogar seguro quando poderia arriscar mais.
🎮 Agradecemos à Wishfully pelo envio da key de PS5 para a realização desta review. A cópia do jogo foi fornecida gratuitamente pelo estúdio, mas isso não influenciou nossa análise nem nossas conclusões.
| Desenvolvedor | Wishfully |
| Plataformas | PlayStation, PC e Xbox |
| Gênero | Puzzle Platformer / Aventura Narrativa |
| Duração | ~8 horas (mais coletáveis) |
| Jogadores | Single-player |
📖 Uma busca simples que revela algo maior

Para começar, a história se inicia anos depois dos eventos do primeiro título. Após explorar uma antiga instalação, Anua adoece ao entrar em contato com uma rocha misteriosa. O gatilho narrativo é simples: encontrar três ingredientes para uma poção de cura. No entanto, o que parece uma missão de coleta rapidamente se transforma em algo muito mais profundo.
Cada bioma carrega um ingrediente único: a polpa de uma flor raríssima nas montanhas geladas, uma pérola no fundo do mar e, por fim, na floresta, um encontro ritualístico com um animal místico. Além disso, a estrutura episódica funciona porque serve de moldura para o que o jogo faz de melhor — seus puzzles —, sem engessar o ritmo.
Paralelamente à busca, o jogo levanta questões genuinamente instigantes: como as tribos estão se relacionando com a tecnologia das máquinas reprogramadas? De onde vieram essas máquinas, afinal? Em vez de entregar respostas prontas, os murais espalhados pelo cenário apostam na interpretação — uma escolha ousada e coerente com a proposta contemplativa do jogo.
Embora algumas revelações possam soar previsíveis para quem é mais atento, o impacto emocional raramente falha. A Wishfully sabe construir momentos e, sobretudo, sabe quando desacelerar e deixar o silêncio falar. Dessa forma, o final — aberto e cuidadoso — deixa espaço para continuidade. DLC ou novo jogo, não importa — queremos mais.
🎮 Gameplay de Planet of Lana 2: Lana e Mui no seu melhor momento

A dinâmica entre os dois protagonistas era o coração do primeiro jogo. Em Children of the Leaf, ela atinge seu ponto alto. Lana ganhou mobilidade — pode se prender a paredes e, além disso, reprogramar máquinas inimigas para usá-las a seu favor. Mui, por sua vez, tornou-se ainda mais essencial: desativa circuitos, interage com objetos e estabelece conexões com criaturas do planeta que Lana simplesmente não conseguiria.
Essa ampliação não é cosmética. Pelo contrário, ela transforma o design dos quebra-cabeças de forma estrutural. Caixas são movimentadas, robôs viram aliados temporários, estruturas levitam e, em um momento memorável, um pequeno submarino entra em cena. Como resultado, tudo encaixa nos cenários com naturalidade — você nunca sente que uma mecânica foi inserida apenas para variar.
O sistema de criaturas: o ponto mais criativo do jogo
Além das habilidades da dupla principal, a maior novidade fica por conta das três criaturas controláveis ao longo da jornada. Cada uma tem função própria e puzzles construídos especificamente para explorar seu potencial:
- 🐟 O peixinho veloz, por exemplo, atravessa espaços estreitos e lança uma mancha escura que cega câmeras e criaturas marinhas — perfeito para stealth aquático.
- 🔥 A bolinha fofa, por sua vez, cria rastros inflamáveis que abrem caminhos bloqueados — com o detalhe perturbador de que precisa ser sacrificada no processo. Trata-se de uma decisão de design que reforça o peso emocional de cada escolha.
- 🦅 O animal voador, finalmente, transporta água e modifica o ambiente regando plantas estrategicamente, abrindo caminhos completamente novos.
A criatividade aqui é real — e justamente por isso, a partida de cada criatura dói. Quando você começa a entender completamente o potencial de cada uma delas, o jogo já segue em frente. Isso é semelhante à sensação de não querer se despedir das montarias de Donkey Kong Country ou das transformações de Super Mario Odyssey. Em suma, são mecânicas que mereciam mais tempo.
⏱️ Progressão e Ritmo: quase impecável
O design dos quebra-cabeças demonstra um cuidado sofisticado com progressão e ritmo. O jogo apresenta uma ideia, a desenvolve e, em seguida, combina com outra e troca no momento certo — sem overstay sua própria bem-vinda. Além disso, a variedade é impressionante ao longo das cerca de 8 horas de campanha — mais ainda se você buscar todos os coletáveis, que constroem um diagrama narrativo que vale muito a pena desvendar.
Também há momentos exclusivos com Mui, operando quase como um pequeno point-and-click, que quebram o ritmo de forma inteligente. Inclusive, o medo da água do pequeno companheiro se torna mecânica: Lana precisa transportá-lo com segurança em uma flor que funciona como bolsa. Esses detalhes mostram, acima de tudo, quanto carinho existe na construção desse mundo.
Há também um momento único estruturado como uma batalha de puzzles — e ele é excelente. Tão bom que, por isso mesmo, a ausência de momentos semelhantes ao longo da campanha é sentida como uma oportunidade perdida. A hostilidade entre as tribos e o uso estratégico da tecnologia, portanto, poderiam ter sido explorados muito mais.
O único ponto de atrito: a dificuldade

Os puzzles não são especialmente difíceis — e esse é o único ponto que pode dividir opiniões. A acessibilidade amplia o público, mas, em contrapartida, reduz a sensação de superação. Em alguns momentos, falta ousadia para desafios mais elaborados. A Wishfully optou pelo caminho seguro, o que é compreensível — afinal, a mesma receita funcionou no primeiro jogo —, mas a sequência mostrou maturidade suficiente para ousar mais.
Da mesma forma, a ausência de modo cooperativo também é sentida. Controlar Lana e Mui separadamente com dois jogadores teria potencial enorme para enriquecer a dinâmica da dupla. Trata-se, portanto, de uma oportunidade que esperamos ver em um possível terceiro título.
Arte e trilha sonora de Planet of Lana II: os maiores trunfos da série
A direção de arte continua sendo o elemento que mais define a identidade de Planet of Lana. De fato, o planeta está ainda mais grandioso em Children of the Leaf. Cada bioma tem sua própria paleta, sua própria textura e seus próprios perigos visuais. Além disso, as máquinas continuam ameaçadoras e reforçam a necessidade de furtividade sem um único diálogo explicativo.
A trilha sonora orquestral caminha junto com tudo isso. Ela não compete com a narrativa visual — pelo contrário, ela a complementa. Há momentos em que a música e a arte se fundem de tal forma que é difícil saber onde uma termina e a outra começa.
A linguagem própria dos personagens permanece incompreensível, e essa continua sendo uma das decisões mais acertadas da série. Por isso, a ausência de legendas força o jogador a observar, interpretar e sentir. Em outras palavras, Planet of Lana II não explica demais — ele confia em quem está jogando.
⚡ Veredito Rápido
| Gameplay e Puzzles | ⭐⭐⭐⭐☆ |
| Narrativa e Atmosfera | ⭐⭐⭐⭐⭐ |
| Direção de Arte | ⭐⭐⭐⭐⭐ |
| Trilha Sonora | ⭐⭐⭐⭐⭐ |
| Desafio e Progressão | ⭐⭐⭐☆☆ |
| Durabilidade | ⭐⭐⭐⭐☆ |
Planet of Lana II Vale a Pena?: Planet of Lana II: Children of the Leaf é uma sequência que respeita o legado do original e o supera em quase tudo. Peca apenas por ser generoso demais com o jogador e deixar várias de suas melhores ideias na mesa. – Jimmy

