Captain Tsubasa 2: World Fighters

Captain Tsubasa 2: World Fighters | Review

Recebemos uma chave de Captain Tsubasa 2: World Fighters da Bandai Namco para a produção desta review no PlayStation 5. O título também está disponível para Nintendo Switch, PC e Xbox Series X|S.

Existe uma razão simples para Captain Tsubasa continuar funcionando tão bem nos videogames: a franquia nunca tratou o futebol como um esporte comum. No universo criado por Yoichi Takahashi, uma finalização pode atravessar o campo como um projétil, um goleiro pode desafiar qualquer lógica para evitar um gol e uma disputa pela bola pode assumir proporções de uma batalha.

World Fighters entende isso perfeitamente.

Em seus melhores momentos, a sequência entrega exatamente a fantasia que um fã de Super Campeões poderia esperar. Os personagens estão lá, as técnicas clássicas ganharam apresentações espetaculares e as partidas conseguem transformar uma simples jogada em um acontecimento digno de um episódio de anime.

O problema é que o espetáculo não consegue esconder por muito tempo uma estrutura que poderia ser bem mais ambiciosa.

Depois que a surpresa inicial desaparece, fica evidente que Captain Tsubasa 2: World Fighters tem dificuldades para transformar sua excelente apresentação em um sistema de futebol igualmente envolvente. As partidas são acessíveis, os golpes são divertidos de executar e existe bastante conteúdo, mas a falta de opções estratégicas e a repetição começam a cobrar seu preço.

É uma sequência que sabe muito bem o que quer ser. A questão é que, em alguns momentos, gostaríamos que ela tivesse ousado um pouco mais.

Quando jogar Captain Tsubasa parece um episódio do anime

captain tsubasa 2 world fighters 2 gameplay

A primeira impressão deixada por World Fighters é positiva justamente porque a adaptação não tenta descaracterizar sua origem.

Tsubasa, Hyuga, Misaki e os demais personagens possuem a personalidade visual e os movimentos que os fãs reconhecem imediatamente. As técnicas especiais não são apenas habilidades com efeitos diferentes: elas foram concebidas para funcionar como pequenas cenas de anime inseridas no meio da partida.

E isso faz diferença.

Uma finalização comum pode ser apenas uma ação necessária para avançar no jogo. Já quando um personagem ativa sua técnica característica, o ritmo muda completamente. A câmera encontra novos ângulos, os efeitos tomam conta da tela e a partida ganha aquela escala exagerada que é parte fundamental da identidade de Captain Tsubasa.

É provavelmente a melhor característica de World Fighters.

O jogo não tenta convencer o jogador de que está participando de uma partida de futebol real. Ele quer fazer você se sentir dentro de uma história em que os atletas possuem habilidades extraordinárias — e consegue isso com bastante competência.

Os confrontos com os goleiros são um bom exemplo. Em determinadas situações, superar o arqueiro adversário parece mais próximo de enfrentar um chefe de RPG do que de finalizar uma jogada tradicional. Há uma expectativa em torno da decisão e do momento certo de utilizar uma técnica, e isso ajuda a diferenciar o jogo de qualquer simulador convencional.

O problema é que esse encanto depende bastante da novidade.

Depois de ver determinadas animações várias vezes, aquilo que inicialmente parecia espetacular passa a ser apenas parte do procedimento para marcar um gol.

E aí começam a aparecer as limitações.

Um futebol que poderia oferecer muito mais

Captain Tsubasa 2: World Fighters

A escolha por uma jogabilidade mais acessível faz sentido. World Fighters não exige que o jogador domine uma enorme quantidade de comandos antes de conseguir se divertir. Os controles são relativamente simples e permitem entrar em campo e entender rapidamente o funcionamento das principais mecânicas.

Para quem está chegando à franquia, isso é uma vantagem.

A questão é que a simplificação também limita a evolução da experiência.

Quanto mais partidas disputamos, mais percebemos que existem poucas maneiras de modificar a estrutura básica dos confrontos. Recuperamos a bola, avançamos, enfrentamos os adversários, utilizamos habilidades e chegamos à tentativa de finalização.

As possibilidades existem, mas não são suficientes para impedir que o processo se torne previsível.

Um jogo baseado em Captain Tsubasa não precisa se transformar em EA Sports FC. Seria até contrário à proposta da série. Ainda assim, havia espaço para criar uma camada estratégica mais interessante sem abandonar o caráter arcade.

Sistemas mais elaborados de posicionamento, marcação ou gerenciamento da equipe poderiam fazer com que o jogador tivesse mais decisões para tomar entre uma técnica especial e outra.

Isso é especialmente perceptível quando pensamos na quantidade de conteúdo oferecida pelo jogo. World Fighters possui mais de uma centena de personagens jogáveis, diferentes seleções e modos capazes de prolongar bastante a experiência. Quanto maior a quantidade de horas que o jogo pretende oferecer, mais importante se torna ter mecânicas capazes de sustentar esse tempo.

E é justamente aí que a repetição aparece.

O espetáculo perde força quando deixa de ser novidade

Captain Tsubasa II World Fighters

As animações são bonitas. O problema é que o jogo gosta muito delas.

Durante as partidas, diferentes situações podem interromper a ação para apresentar uma técnica, um confronto ou algum acontecimento roteirizado. No começo, isso ajuda a criar o clima de anime que torna a experiência tão especial.

Mais tarde, começa a funcionar de maneira diferente.

Em vez de aumentar a tensão, algumas dessas interrupções simplesmente tiram o jogador da partida. Você está construindo uma jogada, acompanhando o desenvolvimento do lance e, de repente, precisa assistir novamente a uma sequência que já conhece.

Não é que as cenas sejam ruins. É justamente o contrário: elas são boas o bastante para impressionar nas primeiras vezes. A repetição é que reduz seu impacto.

O mesmo acontece com determinadas animações de jogadas. Depois de muitas partidas, o jogador começa a reconhecer padrões com facilidade, e aquilo que antes parecia uma grande recompensa passa a ser apenas mais uma etapa da partida.

World Fighters precisava encontrar maneiras de preservar o espetáculo sem depender tanto de apresentações que interrompem a ação.

Esse problema também aparece na inteligência artificial. Existem situações em que os companheiros de equipe não se posicionam como seria esperado, algo particularmente incômodo quando determinados objetivos da campanha exigem que um personagem execute uma ação específica.

Em vez de criar um desafio baseado na habilidade do jogador, algumas dessas situações acabam se tornando uma disputa contra as limitações da própria equipe.

Uma campanha que amplia o universo

Apesar dos problemas de ritmo, a campanha possui méritos importantes.

A história dá continuidade aos acontecimentos do jogo anterior e leva Tsubasa para os torneios internacionais da Juventude Mundial. A presença de diferentes seleções aumenta a sensação de escala e permite que a aventura explore confrontos que vão além dos personagens mais conhecidos.

É uma escolha que combina perfeitamente com a proposta da franquia.

A competição ganha um caráter verdadeiramente global, enquanto novas rivalidades ajudam a manter a narrativa em movimento. Os personagens continuam carregando suas características marcantes, e o espírito de superação que acompanha Captain Tsubasa permanece presente.

Para quem conhece a obra original, existe ainda o prazer de reencontrar personagens e situações familiares dentro de uma apresentação moderna.

A Rota Novos Astros acrescenta uma ideia interessante a essa estrutura. O jogador pode criar seu próprio atleta e inseri-lo na história, participando dos acontecimentos ao lado de personagens clássicos.

Não é uma revolução, mas funciona bem como complemento. Afinal, existe uma diferença significativa entre assistir à trajetória de Tsubasa e criar um personagem capaz de dividir o campo com ele.

As histórias supervisionadas por Yoichi Takahashi também ajudam a manter a personalidade da franquia. World Fighters não parece uma adaptação que utiliza apenas o nome de Captain Tsubasa; ele realmente tenta preservar o espírito da obra.

Isso provavelmente será suficiente para conquistar quem já possui alguma relação com a série.

Visualmente, é difícil não gostar

captain tsubasa 2 world fighters 2 visual

Se existe uma área em que o jogo raramente decepciona, é na direção de arte.

Os personagens possuem modelos tridimensionais fiéis ao visual conhecido pelos fãs, enquanto uniformes, expressões e características individuais ajudam a diferenciá-los.

Mas o verdadeiro trabalho de destaque está nas técnicas especiais.

A equipe de desenvolvimento claramente entendeu que essas sequências precisavam vender a sensação de poder. Câmeras dinâmicas, efeitos de velocidade, partículas e enquadramentos dramáticos transformam as jogadas mais importantes em pequenos espetáculos.

O resultado é colorido, exagerado e, acima de tudo, muito fiel à identidade de Captain Tsubasa.

Também existe uma quantidade impressionante de personagens. Isso contribui para aquela sensação de que estamos diante de uma grande reunião do universo da franquia, e não simplesmente de uma nova campanha protagonizada por Tsubasa.

Por outro lado, a apresentação cobra seu preço em alguns momentos.

A quantidade de efeitos na tela pode ser exagerada e existem situações em que a carga visual parece maior do que seria necessário. Além disso, a experiência apresenta momentos em que a otimização poderia ser melhor, algo que chama atenção justamente por estarmos jogando no PlayStation 5.

Nada disso apaga o trabalho artístico. Mas mostra que o espetáculo visual nem sempre é acompanhado pelo mesmo nível de refinamento técnico.

O áudio completa a atmosfera

A parte sonora segue a mesma filosofia.

As músicas acompanham bem o clima de competição e ajudam a construir a tensão nos confrontos mais importantes. Não é uma trilha que necessariamente rouba a cena, mas funciona como suporte para aquilo que acontece em campo.

Os efeitos das técnicas especiais, por sua vez, possuem impacto suficiente para complementar as animações. Quando uma finalização poderosa é executada, o áudio ajuda a vender a sensação de força extraordinária.

A dublagem também cumpre bem sua função e contribui para manter a personalidade dos personagens.

Para os fãs antigos, ouvir vozes familiares durante as partidas é outro pequeno detalhe que reforça a sensação de estar diante de uma extensão do anime.

O multiplayer encontra uma segunda vida para as partidas

Se existe um lugar em que as limitações da inteligência artificial ficam menos evidentes, é no multiplayer.

Enfrentar outra pessoa muda completamente o comportamento das partidas. O adversário não segue os padrões previsíveis da CPU e pode surpreender com decisões que simplesmente não aparecem quando jogamos contra o computador.

Isso aumenta consideravelmente a longevidade.

Ao mesmo tempo, o multiplayer também evidencia aquilo que falta ao sistema de jogo. Quando duas pessoas se enfrentam, seria interessante ter mais ferramentas para construir estratégias diferentes e explorar as características individuais de cada equipe.

A base é divertida e funciona, mas poderia oferecer muito mais possibilidades para quem pretende permanecer jogando depois de terminar a campanha.

O Brasil é exaltado, mas fica de fora da localização

captain tsubasa 2 world fighters 2 Brasil

Existe ainda um ponto que merece atenção especial para o público brasileiro: a falta de localização em português do Brasil.

A ausência chama ainda mais atenção justamente pela forma como Captain Tsubasa 2: World Fighters trata a Seleção Brasileira. Em diversos momentos, o jogo enaltece o Brasil e coloca nossa seleção em um patamar quase mítico, chegando a tratá-la como a melhor do mundo. Para nós, brasileiros, existe algo particularmente especial em ver a camisa verde e amarela recebendo esse reconhecimento dentro de uma franquia tão apaixonada por futebol.

É uma representação que desperta um certo orgulho e até uma dose de nostalgia. Afinal, embora o Brasil continue sendo uma das seleções mais tradicionais e respeitadas do futebol mundial, já se passaram tantos anos desde o último título de Copa do Mundo que momentos assim acabam tendo um significado ainda maior para quem cresceu acompanhando a Seleção.

Por isso, é uma pena que justamente um jogo que demonstra tanto carinho pelo futebol brasileiro não conte com legendas em português do Brasil.

E a questão vai além dos menus. World Fighters possui uma campanha bastante focada em personagens, rivalidades e acontecimentos narrativos. Para quem não domina os idiomas disponíveis, compreender completamente esses momentos pode se tornar uma barreira desnecessária.

Considerando a enorme popularidade de Captain Tsubasa no Brasil e a maneira como o próprio jogo valoriza nossa seleção, uma localização em português seria não apenas bem-vinda, mas praticamente uma extensão natural dessa relação histórica entre a franquia e o público brasileiro.

Veredito

Captain Tsubasa 2: World Fighters entrega um espetáculo fiel ao anime, com técnicas especiais impressionantes, muitos personagens e bastante nostalgia. A falta de profundidade, a repetição e alguns problemas de ritmo impedem que o jogo alcance todo o seu potencial, mas os fãs da franquia ainda encontrarão aqui uma experiência divertida e capaz de reproduzir muito bem a magia de Captain Tsubasa.

NOTA
7.5/10

Pontos positivos

  • Excelente representação visual do anime
  • Técnicas especiais espetaculares
  • Grande quantidade de personagens
  • Campanha com boa variedade de seleções
  • Rota Novos Astros é uma adição interessante
  • Multiplayer aumenta a longevidade

Pontos negativos

  • Pouca profundidade tática
  • Estrutura das partidas se torna repetitiva
  • Excesso de interrupções cinematográficas
  • Inteligência artificial inconsistente em alguns momentos
  • Carregamentos frequentes
  • Ausência de português do Brasil
  • Alguns problemas de otimização

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