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NASCAR 26 | Review

Um ano depois de NASCAR 25 marcar o retorno da categoria aos consoles pelas mãos da iRacing Studios, NASCAR 26 chega com a missão de corrigir os problemas deixados pelo antecessor. A sequência mantém as quatro principais séries da NASCAR e traz Kyle Larson, campeão da Cup Series de 2025, na capa.

A mudança mais importante está no comportamento dos carros. Pneus e frenagem foram retrabalhados, enquanto a pista dinâmica altera as condições do asfalto ao longo do fim de semana e exige mais adaptação durante as corridas. É uma evolução perceptível para quem vem do jogo anterior.

Nem tudo acompanha esse avanço. Bugs conhecidos continuam aparecendo, a carreira ganhou mais atividades sem resolver algumas limitações estruturais e o multiplayer segue dependente de salas. NASCAR 26 está mais acertado ao volante, mas ainda deixa espaço para uma sequência futura ir além.

Agradecemos à iRacing Studios pela disponibilização da chave de NASCAR 26 para PlayStation 5, utilizada na produção desta análise.

Uma física mais exigente muda a maneira de correr

NASCAR 26 fisica

A principal transformação de NASCAR 26 está na condução. A iRacing Studios refez os modelos de pneus e frenagem e adicionou um sistema de pista dinâmica, que modifica a aderência conforme a superfície acumula borracha durante o fim de semana.

Isso altera a estratégia dentro da própria corrida. Com pouco grip, algumas linhas do circuito oferecem menos segurança e facilitam a perda de controle em direção ao muro. Conforme a borracha se acumula, trajetórias mais altas podem se tornar competitivas, obrigando o jogador a adaptar a condução em vez de simplesmente repetir o mesmo traçado volta após volta.

Os carros da Cup Series também passam uma sensação maior de peso, enquanto os acertos que funcionavam em NASCAR 25 já não entregam necessariamente o mesmo resultado. A frenagem exige mais precisão: pressionar demais pode travar as rodas dianteiras, inclusive na entrada dos boxes.

No DualSense, a vibração e os gatilhos adaptáveis ajudam a transmitir essas mudanças, e as opções de configuração do controle ficaram mais amplas. Para quem joga com volante, as primeiras impressões apontam para um force feedback mais informativo, com maior percepção das ondulações e mudanças de superfície e uma resistência mais consistente no centro. Ainda é cedo para avaliar o resultado em uma variedade maior de bases.

A simulação também ganhou outros detalhes. O motor de 750 HP utilizado pela Cup Series em circuitos mistos e ovais curtos foi reproduzido, a RAM passou a integrar a Truck Series e agora é possível trocar somente os pneus do lado esquerdo. Rivais controlados pela IA também podem abandonar provas, enquanto as punições por cortar caminho em circuitos mistos foram ajustadas.

No calendário, Chicagoland, St. Petersburg e o circuito da base naval de Coronado ampliam a seleção de pistas.

Mais detalhes de simulação, mais possibilidades no calendário

NASCAR 26

NASCAR 26 também amplia a simulação com recursos inspirados na operação real da categoria. O motor de 750 HP utilizado pela Cup Series em circuitos mistos e ovais curtos foi reproduzido, enquanto a RAM passa a integrar a Truck Series.

A estratégia de pit stop também ganhou uma opção mais específica, permitindo trocar apenas os pneus do lado esquerdo. Na pista, os rivais controlados pela IA agora podem abandonar uma corrida, enquanto as punições por cortar caminho em circuitos mistos foram ajustadas.

O calendário recebe três novidades: Chicagoland, St. Petersburg e o circuito da base naval de Coronado. Não são mudanças que transformam a estrutura do jogo, mas ajudam a ampliar a variedade de categorias, situações de corrida e pistas disponíveis.

A IA melhorou, mas alguns problemas ainda aparecem

As disputas em pelotão estão mais interessantes, com os adversários oferecendo corridas que exigem maior atenção ao posicionamento. O problema é que parte das falhas do antecessor ainda aparece em NASCAR 26.

A lógica das bandeiras amarelas continua apresentando inconsistências, enquanto a IA pode enfrentar dificuldades no pit road e obter vantagens nas relargadas, segundo relatos da comunidade. São situações que têm potencial para interferir diretamente no resultado de uma corrida.

A iRacing Studios começou a corrigir parte desses problemas rapidamente. O primeiro patch, lançado na quarta-feira (16), ajustou a lógica das paradas da IA no fim dos estágios e no pit road, alterou a exigência de impacto para provocar bandeiras amarelas na configuração Relaxed e corrigiu uma falha que podia fechar o modo carreira. No online, a atualização também eliminou um erro que aplicava configurações offline às partidas.

A resposta rápida é positiva, embora alguns desses ajustes façam parte justamente do tipo de correção que se espera de um jogo que chega ao público.

Os ratings dos pilotos também tiveram um tropeço no lançamento. Nas primeiras imagens divulgadas, avaliações foram atribuídas incorretamente a pilotos com o mesmo primeiro nome, colocando Daniel Suárez no fim da lista. A conta oficial do jogo reconheceu o erro.

Por outro lado, agora é possível editar as avaliações dos pilotos, divididas em sete tipos de pista, com Martinsville recebendo uma categoria própria. É uma ferramenta interessante para quem prefere ajustar o comportamento da IA à própria experiência.

A carreira ganhou mais atividades, mas ainda falta profundidade

nascar 26 career mode

A carreira de NASCAR 26 tenta dar mais importância ao que acontece entre as corridas. O planejamento semanal, as melhorias de instalações, as oficinas redesenhadas, os patrocínios e as interações em redes sociais ampliam a parte de gerenciamento. Uma sala de troféus e a participação do podcast Door Bumper Clear também entram no pacote.

A diferença em relação ao antecessor é perceptível, mas alguns sistemas importantes continuam ausentes. Os pilotos permanecem nas mesmas equipes de uma temporada para outra, sem aposentadorias ou movimentações de mercado. Acidentes também não geram dano terminal, enquanto o replay das bandeiras amarelas foi substituído por uma tela com os envolvidos.

Outra limitação está na estrutura das categorias: não é possível levar qualquer série para qualquer circuito. São restrições que diminuem a liberdade de quem gostaria de construir uma carreira com maior variedade.

Matt Lewis, diretor de produção da iRacing Studios, apontou alguns desses recursos como objetivos para futuras edições. Por enquanto, porém, eles permanecem fora do pacote disponível em NASCAR 26.

A Gold Edition encarece a progressão

nascar 26 gold edition

A Gold Edition adiciona outro ponto a considerar. Na PlayStation Store brasileira, NASCAR 26 Gold Edition custa R$ 455,90, enquanto a edição padrão sai por R$ 339,90, uma diferença de R$ 116,00.

O Season Pass inclui mais de 200 pinturas, funcionários VIP que oferecem vantagens na carreira, 10 mil dólares de bônus no modo e mil pontos de reputação. Parte desses extras interfere diretamente na progressão do modo single-player, permitindo acelerar o desenvolvimento por meio da edição mais cara.

O conteúdo adicional pode interessar a quem pretende aproveitar todos os extras, mas a presença de vantagens de progressão vinculadas a uma edição premium é uma escolha que merece ser considerada na avaliação do pacote.

The Chase e Peak Performance ampliam as opções

Fora da carreira, The Chase recria a disputa decisiva de dez corridas e permite escolher os rivais envolvidos. É uma alternativa para quem quer partir diretamente para essa fase da temporada.

Peak Performance, por sua vez, aposta no treinamento individual conduzido por Steve Letarte, com participação de Jamie McMurray. O modo funciona como uma porta de entrada para quem ainda não está familiarizado com a categoria ou quer aprimorar a condução.

São acréscimos menores, mas ajudam a diversificar o conteúdo disponível além da carreira principal.

O crossplay ajuda, mas o multiplayer continua básico

O crossplay entre plataformas é uma adição bem-vinda e facilita a formação de salas entre jogadores de diferentes sistemas. A estrutura online, porém, continua simples: o foco está em criar ou encontrar uma sala para disputar uma corrida isolada.

NASCAR 26 também introduz um sistema de infrações de segurança para tentar melhorar o comportamento nas sessões públicas. A proposta é interessante, mas não muda o fato de que ainda faltam recursos como pareamento automático e corridas oficiais agendadas.

No PS5, as salas comportam até 40 jogadores e exigem PS Plus. A tela dividida continua ausente, segundo o estúdio, devido ao custo de renderizar 40 carros e seus retrovisores duas vezes na mesma tela.

Gráficos ganham vida, mas NASCAR 26 ainda exibe falhas visuais

A apresentação de NASCAR 26 tem seus momentos de destaque, principalmente quando a corrida acontece sob as novas condições de iluminação. O céu dinâmico contribui para uma ambientação mais convincente, enquanto os efeitos de fumaça, detritos e borracha acumulada ajudam a transmitir a intensidade das disputas. Os interiores dos carros também receberam uma reformulação, com detalhes que enriquecem a experiência na câmera interna.

O resultado, contudo, está longe de ser uniforme. Em Lime Rock Park, por exemplo, as sombras projetadas nos muros continuam surgindo de maneira abrupta, revelando problemas de carregamento que prejudicam a consistência visual. As câmeras externas também não convencem completamente, com uma aparência borrada que reduz a definição da imagem e tira parte do impacto dos cenários.

É uma situação que resume bem o estado técnico do jogo: há um esforço evidente para melhorar a apresentação, mas a evolução não foi suficiente para eliminar algumas falhas que já estavam presentes no antecessor. NASCAR 26 consegue entregar corridas visualmente interessantes, embora ainda falte um acabamento mais cuidadoso para que a experiência pareça realmente renovada.

Na parte sonora e de apresentação, Freddie Kraft assume a voz do spotter, enquanto algumas falas e elementos da interface foram produzidos com auxílio de inteligência artificial. O editor de pinturas também ficou mais completo, com a opção de espelhar o layout de um lado do carro para o outro, tornando a personalização mais prática.

Outro ponto que limita o alcance de NASCAR 26 está na ausência de localização. O jogo chega exclusivamente em inglês, incluindo interface, áudio e legendas, sem suporte oficial ao português ou a outros idiomas no lançamento. Embora a NASCAR tenha uma presença internacional menor do que outras modalidades do automobilismo, a categoria possui uma comunidade de fãs fora dos Estados Unidos, inclusive no Brasil. Deixar esse público sem qualquer opção de tradução reduz a acessibilidade do jogo e cria uma barreira para quem acompanha a competição, mas não domina o inglês.

7.0

Bom

NASCAR 26 evolui onde mais importa: na pista. A nova física, a frenagem e a pista dinâmica tornam as corridas mais exigentes e interessantes. Fora dela, porém, ainda faltam refinamento e profundidade, com bugs persistentes e limitações na carreira e no multiplayer. A ausência de português também reduz a acessibilidade para parte do público brasileiro. NASCAR 26 dirige melhor do que se organiza.

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