A Eastasiasoft forneceu gentilmente uma key de Incantation para esta análise. Agradecemos ao estúdio pela oportunidade.
Cuidado com o culto
A Softstar Entertainment — criadora da série Xuan Yuan Sword e de Legend of Sword and Fairy — desenvolveu Incantation, um jogo de terror psicológico em primeira pessoa. O título se baseia no aclamado filme de found-footage homônimo, originário de Taiwan, e assim chega ao PS5 carregando toda a atmosfera perturbadora da sua inspiração. Nem sempre, porém, essa atmosfera se traduz bem para os controles.
Leia também!
A história de Incantation

Você assume o papel de Jia Jun Lee, uma mãe em busca de sua filha desaparecida há seis anos. Ela encontra pistas que a levam até Chen Village, mas sofre um acidente de carro logo na chegada. Ao acordar, então, percebe que algo naquela aldeia — e em seus habitantes — está longe de ser normal. O enredo se apoia em lendas taiwanesas reais, o que confere ao jogo uma camada de autenticidade bem-vinda. No entanto, a narrativa pode ser difícil de acompanhar, especialmente no desfecho. Além disso, um final adicional pós-créditos tenta amarrar algumas pontas soltas, mas ainda exige esforço considerável para montar o quebra-cabeça.
O grande destaque é, portanto, a relação entre Jia e Mia, uma garotinha encontrada pela aldeia. Mia aparece e desaparece de forma quase espectral, guiando Jia pelos cenários e sendo peça-chave na trama. Dessa forma, o dinamismo entre as duas se torna o momento mais humano e envolvente do jogo. Pena que o roteiro entregue a identidade de Mia cedo demais.
Gameplay

No PS5, Incantation se encaixa bem na categoria de walking simulator de terror. Você explora Chen Village, coleta documentos que expandem o lore, encontra chaves, abre portas e, em seguida, resolve puzzles para avançar. Os enigmas giram principalmente em torno de quebrar ciclos sobrenaturais, posicionando oferendas e totens para desobstruir o caminho. Além disso, o jogo não oferece defesa real — ao sofrer um ataque, você empurra o inimigo e segue em frente. Em cerca de três horas de jogo, isso ocorre apenas quatro ou cinco vezes.
Por isso, quem espera a profundidade de um survival horror sairá insatisfeito. O único encontro semelhante a um boss fight exige apenas desviar do inimigo e deixá-lo se autodestruir. Por outro lado, a ausência de um botão de dash torna esse momento mais frustrante do que deveria. Já a perseguição próxima ao final entrega a cena mais tensa e bem executada de toda a experiência.
Os puzzles mais interessantes aparecem após a campanha principal, quando você revisita o mundo pelos olhos de Mia. Os enigmas de Jia se limitam a caixas giratórias e quebra de loops. Em contrapartida, os de Mia envolvem espelhos que refletem luz e estátuas a posicionar conforme pinturas nas paredes — mais criativos, embora nenhum deles apresente desafio real.
Atmosfera e terror em Incantation

A ambientação é, certamente, um dos pontos mais competentes do jogo. Chen Village transmite estranheza e opressão de forma constante, e o culto que adora a entidade conhecida como Buda-Mãe se mostra genuinamente sinistro. Há sustos pontuais eficientes, porém longos trechos sem nada acontecendo comprometem o ritmo e diluem a tensão. Além disso, a interação limitada com o ambiente também prejudica a imersão.
Incantation Vale a Pena?: Incantation entrega uma adaptação razoável do terror do filme original, mas não vai além de uma experiência contemplativa. A atmosfera cumpre seu papel e o vínculo entre Jia e Mia tem seus momentos genuínos. Além disso, a base folclórica taiwanesa é um diferencial interessante. Ainda assim, a jogabilidade rasa, o ritmo irregular e a história confusa impedem que o jogo alcance seu potencial. Portanto, se você curte walking sims de horror e tem três horas disponíveis, pode valer a experiência — mas o filme continua sendo a melhor forma de conhecer essa história. – Jimmy
Desenvolvedor: Softstar Entertainment
Publisher: Eastasiasoft
Lançamento: 8 de abril de 2026
Plataformas: PS5, Xbox Series X/S, Nintendo Switch, PC
Classificação: M (Violência, Linguagem Forte, Nudez Parcial)
Plataforma utilizada para a review: PS5