Se você acompanhou a chegada de No Rest for the Wicked no Acesso Antecipado da Steam, sabe que a Moon Studios não costuma se acomodar com o óbvio. Mas o mais recente episódio do Wicked Inside, transmitido nesta sexta-feira (16), provou que o estúdio por trás do inesquecível Ori está disposto a reescrever as próprias regras do jogo antes do lançamento definitivo.
A grande notícia do showcase não foi apenas a confirmação da versão 1.0 para março de 2027 no PC e PlayStation 5, mas sim uma reestruturação profunda nas mecânicas centrais do RPG de ação.
No Rest for the Wicked | Wicked Inside Showcase
Tchau, atributos: a arma agora é a sua classe
A mudança mais drástica afeta diretamente a forma como montamos nossos personagens. A Moon Studios decidiu aposentar aquele sistema tradicional de distribuição de pontos de atributos — que frequentemente prendia o jogador a um único arquétipo do início ao fim — para dar lugar a uma mecânica totalmente dinâmica.
Agora, a sua classe é definida pela arma que você decide carregar. O sistema conta com 24 vertentes e um acervo colossal de 362 características que podem ser importadas entre diferentes perfis.
Na prática, a decisão abre portas para criações insanas e sinergias improváveis: você pode transitar de um combatente que faz chover lanças elétricas para uma build focada em movimentação furtiva e finalizações rápidas em questão de instantes. A ideia é eliminar o receio de “errar a build” e incentivar o teste constante.
Cerim Cores: o dilema entre o poder absoluto e a morte rápida
Para equilibrar a liberdade ofensiva, a sobrevivência em Isola Sacra passa a rodar em torno dos Cerim Cores. Essa mecânica funciona como a espinha dorsal da resistência do seu personagem, oferecendo desde melhorias básicas (como barras expandidas de vida, estamina e foco) até efeitos exóticos como o status Feral — que acelera a cadência dos ataques — e o Crimson, focado em roubo de vida.
O tempero tipicamente Soulslike fica por conta do risco envolvido: ultrapassar o limite de capacidade dos seus Cores cobra um preço alto em vulnerabilidade. Quanto mais poder exótico você carrega, mais dano você recebe de qualquer ataque básico. É o tipo de mecânica de “ganância versus prudência” que transforma cada encontro com inimigos em um teste de nervos.
Uma Isola Sacra viva e duas vezes maior
A escala do conteúdo também recebeu atenção especial. O progresso em Isola Sacra agora passa pela filiação a 6 facções distintas — incluindo os assassinos da Severed Hand, os cavaleiros da Sacrament Guard e os enigmáticos Unspoken. Escalar a hierarquia desses grupos garante acesso a linhas de missões exclusivas, vendedores dedicados e vantagens mecânicas únicas.
Tudo isso faz parte de um plano ambicioso para a versão 1.0. A Moon Studios confirmou que a atualização final vai praticamente dobrar o tamanho do mapa e do conteúdo, trazendo novas zonas, famílias de inimigos inéditas, chefões de grande porte e um pente-fino no sistema de loot e na otimização para o hardware do PS5.
No Rest for the Wicked já superou a marca de 2 milhões de jogadores no Early Access e adicionou recursos cobrados como PvP e co-op online, fica claro que a Moon Studios não quer apenas entregar mais um ARPG sombrio — eles querem estabelecer um novo padrão para o gênero.


