Há algo quase poético em um farol. Sua função é orientar, alertar e conduzir embarcações em segurança. Em The Green Light, entretanto, a misteriosa luz verde representa um convite para uma jornada de horror psicológico que desperta curiosidade logo nos primeiros minutos. A proposta é interessante: acompanhar um homem preso a uma rotina sufocante que encontra uma oportunidade de mudar sua vida após seguir um misterioso chamado. Infelizmente, embora a ideia tenha potencial, sua execução deixa a sensação de que o projeto poderia ter ido muito mais longe.
Desenvolvido e publicado por Waleedzo, The Green Light é uma experiência narrativa curta, com aproximadamente 40 a 50 minutos de duração, que aposta na ambientação e no simbolismo em vez da ação. O resultado é um jogo que apresenta bons conceitos, mas que também evidencia algumas limitações comuns de projetos independentes desenvolvidos por equipes muito pequenas.
Agradecemos ao Waleedzo pelo envio da chave de The Green Light para PlayStation 5, que tornou esta análise possível.
Uma premissa interessante que perde força ao longo da jornada

O jogador assume o papel de Fred, um homem preso em um emprego desgastante, pressionado diariamente por um chefe exigente e atormentado por estranhas alucinações. Em uma noite aparentemente comum, uma voz misteriosa surge pelo rádio prometendo liberdade caso ele siga a enigmática “luz verde”.
A construção inicial desperta curiosidade e estabelece um mistério interessante. A narrativa sugere temas como escapismo, culpa e autodescoberta, criando expectativas para uma experiência psicológica mais profunda.
Contudo, conforme a aventura avança, a história passa a depender de documentos espalhados pelos cenários e de pequenas narrações ambientais. Embora essa abordagem incentive a interpretação do jogador, algumas respostas permanecem vagas e o desfecho acaba transmitindo menos impacto emocional do que a premissa inicial parecia prometer.
Jogabilidade simples, mas bastante linear

A estrutura de The Green Light lembra a de um walking simulator tradicional. A jornada leva Fred do escritório para uma fazenda e, finalmente, ao farol, seguindo um caminho totalmente linear e sem espaço para exploração significativa.
As interações são bastante básicas e, em alguns momentos, poderiam ser mais intuitivas. Diversos objetos exigem posicionar o cursor com bastante precisão para que a ação seja reconhecida, enquanto determinadas sequências precisam ser executadas exatamente na ordem esperada pelo jogo para que a história continue.
Nada disso chega a comprometer completamente a experiência, mas reduz a sensação de liberdade e torna alguns momentos menos naturais do que poderiam ser.
Atmosfera funciona melhor do que os sustos

Embora seja vendido como um horror psicológico, The Green Light aposta mais na sensação de isolamento do que em sustos constantes.
Os jumpscares aparecem apenas em momentos específicos e costumam ser relativamente previsíveis, reduzindo parte de seu impacto. Ainda assim, a direção artística consegue construir um ambiente melancólico e desconfortável, principalmente graças aos cenários vazios e ao constante sentimento de solidão.
Outro ponto positivo é a trilha sonora. Mesmo sendo utilizada com moderação, ela acompanha bem alguns dos momentos mais importantes da campanha, especialmente durante a sequência final envolvendo o farol, acrescentando uma carga emocional que fortalece essas cenas.
Como The Green Light roda no PS5
No PlayStation 5, The Green Light apresenta desempenho estável durante toda a campanha, sem problemas técnicos graves. Ainda assim, alguns aspectos da experiência poderiam receber mais refinamento.
A iluminação é bastante escura em diversos ambientes e o jogo não oferece opções para ajustá-la. Como consequência, algumas áreas podem dificultar a visualização, principalmente para quem joga em ambientes iluminados.
A lanterna também possui alcance reduzido, enquanto o cursor utilizado para interagir com objetos é pequeno e pouco destacado na tela. São detalhes simples, mas que acabam tornando determinadas interações menos confortáveis.
Também faz falta uma seleção de capítulos. Considerando que a campanha é bastante curta, a necessidade de reiniciar toda a aventura para recuperar um item perdido ou conquistar a platina acaba sendo um inconveniente desnecessário.
Vale a pena jogar The Green Light?
Como projeto independente, The Green Light demonstra criatividade e uma boa dose de ambição. Sua premissa desperta interesse, alguns momentos da ambientação funcionam muito bem e a curta duração faz com que a experiência nunca se torne cansativa.
Por outro lado, a narrativa pouco desenvolvida, a linearidade excessiva e algumas escolhas de design impedem que o jogo entregue todo o potencial sugerido por sua proposta inicial.
Seu preço acessível também pesa a favor. Para quem gosta de jogos narrativos curtos, experiências independentes ou simplesmente procura uma platina relativamente rápida no PS5, pode valer a pena dar uma oportunidade, desde que as expectativas estejam alinhadas com o escopo do projeto.
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