Call of Duty: Modern Warfare 4

Jogamos a beta de Call of Duty: Modern Warfare 4 – o que funciona e o que emperra

Há um cansaço visível na franquia Call of Duty. Depois de anos alternando entre reinvenções de movimento, ciclos anuais cada vez mais parecidos e um Black Ops 7 que apostou pesado no espetáculo e na acrobacia, a beta de Call of Duty: Modern Warfare 4 chega com uma proposta quase restauradora: menos salto, menos tecnologia de ficção científica, mais guerra contemporânea, mais sujeira e mais decisão no tiro.

Joguei a missão de campanha disponível e várias horas de multiplayer. O que sobra não é um jogo pronto. É um diagnóstico claro da direção que a Infinity Ward quer tomar — e dos problemas que ainda precisam ser resolvidos até 23 de outubro.

A campanha, mesmo em dose única, lembra por que Modern Warfare existe

A amostra single-player coloca o jogador numa ofensiva intensa, com trincheiras, bombardeios, veículos e um ritmo que oscila entre o caos cinematográfico e o combate mais posicionado. O recorte disponível gira em torno de um conflito envolvendo as Coreias e uma usina nuclear — um cenário diferente do que a série vinha repetindo recentemente e, pelo menos nesta missão, mais concreto do que “mais uma operação especial em cidade genérica”.

O que funciona bem é a encenação. Há escala, há barulho, há aquele senso de que o mapa existe para ser atravessado sob fogo, não apenas para servir de corredor de set-piece. A dublagem em português brasileiro ajuda: não soa como após-pensamento. Visualmente, o jogo é sólido. Luz, fumaça, destruição e texturas aproveitam o fato de esta ser a primeira entrada da série pensada sem lastro de geração anterior. Não é um salto visual que deixa o título anterior no chinelo, mas a produção finalmente não precisa mais se desculpar pelo hardware antigo.

O limite é óbvio: uma missão não prova campanha. Paris e Nova York já foram citadas como palcos do jogo completo, o que sugere que a Infinity Ward quer devolver à série aquele turismo bélico de bloco de ação. Se o restante mantiver o peso desta amostra, Call of Duty: Modern Warfare 4 pode ter de novo uma campanha que se sustenta sozinha. Se virar só vitrine para o multiplayer, teremos o padrão de sempre.

O multiplayer é o coração — e também o termômetro

A diferença para Black Ops 7 aparece em poucos segundos. A movimentação é mais básica, mais terrestre. Continua existindo deslocamento omnidirecional — é possível correr sem realinhar a câmera o tempo todo —, além de mergulhos e slides. O que mudou foi a filosofia: menos acrobacia, mais leitura de mapa e troca de tiro.

Isso é, em tese, o acerto da beta. Na prática, o conjunto ainda está desequilibrado.

O slide demora um instante a mais do que o instinto pede. Não é grave, mas em um jogo no qual frações de segundo decidem o duelo, esse atraso vira irritação. O TTK também está curto. Morre-se rápido demais, e a sensação não é de precisão cirúrgica: é de partidas que punem o posicionamento e premiam quem aparece primeiro no frame. Pode ser vida baixa, dano alto ou os dois. Em beta de Call of Duty isso é recorrente, mas aqui o problema se combina com respawns agressivos. Você morre, volta e, com frequência, já está de novo no meio do mesmo ângulo de fogo.

Os mapas da amostra reforçam a identidade Modern Warfare: ambientações urbanas, corredores, janelas, cobertura irregular, menos arena “limpa” de e-sport e mais espaço para camp e para giro. O detalhe visual ajuda. O level design, nem sempre. Há rotas interessantes e também pontos em que o fluxo ainda parece bruto, como se o mapa tivesse sido aprovado antes do sistema de spawn acompanhar.

Armas e equipamentos, por outro lado, estão no ponto forte da série. O feedback do tiro é convincente, o Gunsmith continua sendo o playground habitual e o arsenal da beta já comunica peso diferente entre fuzil, SMG e precisão de longo alcance. Quando o jogo “engraxa”, ele lembra o melhor de Modern Warfare (2019): mortal, direto, pouco paciente com firula.

Além dos modos clássicos — mata-mata em equipe, baixa confirmada, search and destroy —, a beta testou combates em escala maior e um modo de treinamento de movimentação. A ausência de Zumbis nesta linha da franquia não surpreende e, francamente, ajuda o recorte: Modern Warfare 4 quer ser guerra, não parque de atrações. O multiplayer, com os devidos cortes, tem cara de ser novamente o modo que segura o ciclo anual.

O que a beta prova — e o que ela ainda não prova

Call of Duty: Modern Warfare 4 acerta o diagnóstico. Depois de um período em que Call of Duty parecia perseguir o próprio excesso, voltar a um combate mais pesado e contemporâneo é a decisão certa para esta subsérie. A campanha, mesmo curta, tem ambição visual e dramática. O multiplayer tem identidade. As armas funcionam.

O que falta é o ajuste fino que separa “promissor” de “redondo”: TTK, slide, spawns e fluidez geral. Nada disso é inédito na série. A diferença é que, desta vez, o público chega mais impaciente. O jogo precisa sentir-se deliberado, não apenas rápido.

A janela de early access da beta foi para quem reservou o jogo; o fim de semana aberto, entre 28 de agosto e 1º de setembro, ampliou o teste para PC, PlayStation 5, Xbox Series e Switch 2. Quem jogou saiu com a mesma impressão: a base está melhor do que o ceticismo recente permitia esperar.

Call of Duty: Modern Warfare 4 será lançado em 23 de outubro de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC e Nintendo Switch 2.

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